Como escolher o sutiã ideal para não prejudicar a saúde

Como escolher o sutiã ideal para não prejudicar a saúde

Foto/Reprodução

A maioria das mulheres define a compra de um sutiã unicamente por questões estéticas, sem nenhuma preocupação com a saúde. Ao escolher um novo, as mulheres em geral procuram por cores, estampas e rendas; ou modelos mais cavados para usar com um vestido decotado; ou com ou sem enchimento no bojo para dar a ideia de mais ou menos volume nos seios.

Mas não se pode apenas lembrar da aparência. A escolha deve ser a saudável. Um modelo mais apertado pode causar dores de cabeça, nas costas e trazer consequências como a indigestão. Há casos de escoriações, dores no peito e má postura. As mulheres que sofrem mais são as que estão com sobrepeso. As dores causadas por sutiã podem se tornar crônicas.

O uso contínuo de um sutiã inadequado pode acarretar problemas na velhice. Algumas dores mamárias ou abrasões aparecem justamente com o uso de um determinado tipo de sutiã. Mas podem ser resolvidas com a troca por outro. Dramas podem ser evitados com a adoção do sutiã adequado.

Sinais de que você está usando o sutiã errado são, por exemplo: perceber que os seios balançam ao andar; a tendência de trazer os ombros para a frente; ou o seio dividido. Há mulheres que chegam a arrancar as alças em favor do conforto, sem imaginar que isto estraga a estrutura da peça e pode sobrecarregar as costas, causando dores musculares. Quem já se viu nestas situações, pode ter certeza que o modelo usado não é adequado. E, neste caso, a mulher está pecando tanto na estética quanto na saúde. A função básica do sutiã é a sustentação dos seios com a finalidade de promover uma mudança estética, mais agradável aos padrões de beleza em voga. Esteja bonita, mas que a saúde prevaleça.

O sutiã ideal precisa equilibrar o peso dos seios entre as alças e a faixa presa nas costas, evitando que as costas e os ombros fiquem tensos. A proporção é de que 80% do peso seja sustentado pela cinta que circunda o corpo e apenas 20% do peso seja apoiado nas alças. Esta proporção é importante para que a tensão não cause dores musculares. O sutiã precisa se encaixar corretamente. Não pode subir quando se ergue os braços e nem provocar depressão nos ombros.

Confira o conforto das alças nos ombros e nas costas e observe se de fato vão formar um V, posição que ajuda a distribuir o peso melhor. São as alças que fazem a distribuição de forças anteroposteriores sobre os ombros em relação às escápulas (omoplatas). Na frente, o centro da peça deve ficar ajustado ao corpo, pois quando forma um espaço muito grande, pode significar que o sutiã é pequeno demais. O bojo deve tocar suavemente os seios, sem apertá-los. Também não pode dividí-los ao meio; ele precisa envolver totalmente o seio.

Caso as glândulas mamárias se estendam pelas axilas, melhor escolher um número maior e considerar um modelo com o tecido lateral mais largo e reforçado, de maneira a guardar melhor embaixo dos braços para segurar estas glândulas. O desenvolvimento das glândulas mamárias durante a gravidez exige modelos de sutiãs diferentes, assim como no período de amamentação. As mudanças do corpo precisam ser acompanhadas pela numeração da lingerie. O bojo não deve ficar enrugado, isto é sinal de que você precisa de um número menor.

O sutiã deve puxar para trás e não para frente. Com isso, o efeito natural da gravidade é minimizado. Além dos tamanhos corretos, todos os ajustes devem ser feitos com precisão para vestir bem. As alças reguladas e as tiras nas costas ajustadas de maneira que ao levantar os braços, o sutiã não saia da posição exata, logo abaixo do seio. As alças não podem apertar ou cair dos ombros. As alças ficam relativamente paralelas entre si, sobre as partes mais carnudas dos ombros, com tendência a formar a letra V nas costas. A região lombar tem a musculatura mais forte do corpo e melhores condições de suportar o impacto do peso dos seios; e as alças ajudam na distribuição deste peso nos ombros. Se a tensão se concentar no tórax, existe o risco da postura corporal ficar curvada.

A inclinação advinda da sobrecarga pode provocar problemas no estômago e fadiga. A postura curvada persistente pode ter como consequência uma cifose, conhecida popularmente como corcundez. A força da gravidade atua quando se está em pé, portanto, seria desnecessário usar o sutiã para dormir. O bom sutiã sustenta os seios para manter a saúde e não apenas para deixar a mulher elegante ou sensual.

O uso de sutiã adequado pode vir a prevenir falta de ar, dores nas mamas (principalmente próximo à ovulação), abrasões, dores lombares, dores dorsais, dores cervicais, mal estar geral e dores de cabeça. Um bom sutiã pode inclusive contribuir para corrigir a má postura. O problema das dores nas costas, que ocorre principalmente em mulheres grandes com seios avantajados, provocado pela mudança do ponto de gravidade do tronco, pode ser resolvido ou minimizado com fisioterapia para fortalecimento da musculatura e para corrigir a postura. A cirurgia de redução de seios é um último recurso da medicina para quem não conseguiu bons resultados com as demais terapias

Um capítulo à parte é o sutiã esportivo. Corredoras, principalmente, buscam modelos que evitem que os seios balancem demais durante a prática esportiva. Existe modelos projetados especialmente para sustentar os seios durante os exercícios físicos de alto impacto. Acontece que o seio se movimenta para cima, para baixo e para as laterais, e os sutiãs convencionais tentam diminuir somente os movimentos verticais. Modelos esportivos estão buscando reduzir os horizontais também. São fabricados para proporcionar mais conforto à atleta e para um ajuste perfeito. Confeccionados em tecidos que absorvem a umidade, têm outras propriedades para oferecer conforto: são sem costuras, com bordas laminadas ou costuras cobertas para evitar o atrito com a pele.

*Artigo de Fabio Ferraz do Amaral Ravaglia, cirurgião ortopedista e traumatologista. Mais informações www.ortopediaesaude.org.br www.osso.org.br.

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